Inovação levada a sério

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Nestes tempos em que todos estão em busca de soluções “fora da caixa”, fala-se muito em inovação. Mas quantos levam essa busca com seriedade?

Algumas organizações levam inovação a sério. Por exemplo, a rede de varejo Zara, conhecida por renovar suas coleções a cada duas semanas, enquanto seus principais concorrentes precisam de meses. Para tanto, inovou ao conectar seus designers na Espanha diretamente com mais de 4,3 mil lojas em 73 países, que informam, em tempo real, as mudanças nos hábitos dos consumidores.

Outro exemplo é a cadeia indiana de supermercados Bharti, cujo desafio é atuar em um país com 1,2 bilhão de habitantes, que falam 1,6 mil línguas e têm enorme variedade de hábitos de consumo. Para atender a esse mercado, a empresa opera desde hipermercados até pequenas lojas, onde, graças a arranjos inovadores de trabalho, comerciantes independentes de carnes, frutas e legumes, além de donas de casa, aposentados e estudantes, podem prestar serviços em suas instalações.

O Google é reconhecido por suas inovações tecnológicas, mas é também um viveiro de inovações em gestão. Uma das mais interessantes é a parceria com a Procter & Gamble para promover a revitalização da cultura por meio do intercâmbio temporário de executivos, que se beneficiam do contato com um jeito mais disciplinado de trabalhar inovação. Os colegas da P&G, do contato com um estilo mais orgânico de pesquisa e desenvolvimento.

Talvez seja o momento de encarar de frente as barreiras
que impedem as empresas de realmente inovar

Existem até novas empresas que nasceram de inovações. A BizExchange é um exemplo. Criada em 2002, tem crescido 300% ao ano prestando serviços de facilitação de trocas entre empresas, o tradicional escambo, agora vitaminado pela aplicação imaginativa de TI.

Se é para levar inovação a sério, talvez seja bom começar com um diálogo profundo sobre o entendimento do conceito de inovação na empresa. Pequenas melhorias em partes da empresa são inovação? Milhares de pequenas melhorias no dia a dia representam uma grande inovação? O esforço constante para modernizar o obsoleto pode levar a um salto de patamar? Ou inovação é sempre reinvenção, inclusive de ramos inteiros? Se é para levar inovação a sério, talvez seja bom todos saberem para que a empresa quer inovar. Para incrementar os resultados para um dos stakeholders ou para todos? Para obter resultados a curto ou a longo prazo? Como algo emergencial ou sustentável? Que visa melhorias para todos e a construção do bem comum ou o melhor para poucos?

Se é para levar inovação a sério, talvez seja bom encarar de frente as barreiras que a impedem de acontecer. Todos querem inovação ou há conflito de interesses? Há barreiras culturais, ou seja, crenças que fazem as pessoas se oporem às mudanças? Se é para levar inovação a sério, é bom verificar se o esforço atinge a organização como um todo. Busca-se inovação além de produtos? Há “experimentações inovadoras” em todas as partes? Se é para levar inovação a sério, não deveríamos reinventar o próprio processo de fazê-la efetivamente acontecer?

Publicado na Revista Época Negócios – Número 29

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